O quê e como parlamentares do Congresso Nacional falam sobre meio ambiente nas redes sociais
RAC/MIDIARS
Para isso, apresentamos os resultados de um estudo realizado pelo MIDIARS com o objetivo de analisar as principais pautas que marcaram os discursos dos parlamentares que compõem o Congresso Nacional e como as pautas relacionadas ao meio ambiente aparecem em seus perfis.
Como foi feito.
Foram utilizados termos como “meio ambiente”, “ambiental”, “clima”, “indígena”, “garimpo”, “mineração”, “floresta”, “Amazônia”, entre muitos outros, para identificar os temas ambientais. De forma geral, aparecem como temas mobilizadores apenas entre alguns parlamentares da esquerda, ou de forma reativa e pontual em torno de eventos de grande repercussão, como o “Ato pela Terra” e o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Philips.
Na Câmara dos Deputados, os discursos relacionados a temas ambientais aparecem relacionados aos termos que podem ser vistos na imagem a seguir.
O debate sobre destes temas foi marcado pela oposição a ações do governo federal (menções a “desmatamento”, “garimpo ilegal”, “mineração em terras indígenas”), e este tratamento, mais volumoso, está representado no grafo acima pelo grupo verde.
Entre os que se posicionam favoravelmente às ações do governo, destaca-se a utilização de termos como “preservação ambiental” e “terras indígenas” para legitimar ações do governo federal, combinando com “projetos”, “trabalho”, “verdade”, “Bolsonaro”, “Brasil”, entre outros.
Note-se que o uso do termo “verdade” tem o intuito de apoiar a narrativa de que as ações do governo no campo ambiental são necessárias para o desenvolvimento do país e dos povos indígenas, e deslegitimar as críticas que supostamente “esconderiam” esta falsa “verdade”.
Ainda na Câmara dos Deputados, os tópicos mais comentados foram os seguintes:
No Senado Federal, a pauta ambiental tem baixíssima relevância. Nos poucos momentos em que as pautas relacionadas ao meio ambiente aparecem nos discursos dos senadores, é como reação a fatores ou condições externas, como os assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira e, eventualmente, durante o debate de projetos relacionados à Amazônia, povos indígena e ao meio ambiente.
O núcleo central do debate (verde), que mobiliza discursos de crítica às ações do governo federal, é liderado por Nilto Tatto (PT), que é o parlamentar que mais se envolveu nesta pauta nas redes sociais. Ainda na oposição ao governo, um segundo grupo de parlamentares, entre os quais se destacam deputadas do PSOL, como Vivi Reis e Áurea Carolina, utilizaram mais termos relacionados à questão climática (“crise climática”, “COP26”).
O grupo de parlamentares que apoiaram ações do governo federal é liderado por parlamentares da direita e da base do governo Bolsonaro, como Alexandre Frota (PSDB) e Carla Zambelli (PL). Os parlamentares de extrema direita e direita apoiadores do governo se apropriaram do discurso de defesa dos povos indígenas, – principalmente no contexto do assassinato do Don e do Bruno – e o articulam com “desenvolvimento”.
No Senado Federal, como reflexo da baixa relevância dos temas ambientais, observa-se a fragmentação dos parlamentares em vários grupos menores que discutiram questões relacionadas ao meio ambiente de forma mais isolada, como mostra o grafo a seguir.
O grupo de parlamentares que apoiaram ações do governo federal é liderado por parlamentares da direita e da base do governo Bolsonaro, como Alexandre Frota (PSDB) e Carla Zambelli (PL). Os parlamentares de extrema direita e direita apoiadores do governo se apropriaram do discurso de defesa dos povos indígenas, – principalmente no contexto do assassinato do Don e do Bruno – e o articulam com “desenvolvimento”.
No Senado Federal, como reflexo da baixa relevância dos temas ambientais, observa-se a fragmentação dos parlamentares em vários grupos menores que discutiram questões relacionadas ao meio ambiente de forma mais isolada, como mostra o grafo a seguir.
A atividade assídua de poucos parlamentares e a baixa participação da maioria, faz com que as análises sobre o debate no congresso tenda a refletir mais a posição dos parlamentares mais ativos nas redes sociais.
No entanto, partidos de esquerda e de centro esquerda apresentam um potencial maior de fortalecer a discussão sobre o tema, quando instigados por temas de relevância social. A atividade significativa e o engajamento médio de parlamentares do PT, por exemplo, se apresenta como uma possibilidade interessante para motivar o debate sobre meio ambiente e atrair mais força para a pauta em meio à sociedade, desde que estes parlamentares estejam dispostos a se engajar mais nas discussões sobre o tema como regra e não apenas em situações extraordinárias.
1Raquel Recuero é pós-doutora em linguística aplicada, Doutora em Comunicação e Informação e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com graduação em Comunicação Social e em Direito. É coordenadora do Laboratório de pesquisa MIDIARS (Mídia, Discurso e Análise de Redes Sociais). Professora e pesquisadora do Centro de Letras e Comunicação da Universidade Federal de Pelotas e pesquisadora do Programa de Pós Graduação em Comunicação da UFRGS. Autora de vários livros sobre redes sociais na internet e mídia social, capítulos e artigos, tem experiência nas áreas de Comunicação e Linguística Aplicada, com foco em Mídia Social, Discurso e Métodos Digitais. Currículo Lattes.
Taiane Volcan é Doutora em Letras pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) com tese focada na análise do discurso político no contexto das redes sociais na internet. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Cibercultura e Análise de Discurso Mediado por Computador, atuando principalmente nos seguintes temas: política, discurso mediado por computador e desinformação. É pesquisadora do MIDIARS e professora convidada no SENAC-RS.






