A lei mais urgente do mundo
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Carta aberta aos governos subnacionais brasileiros presentes à 26ª Conferência das Partes da Convenção Quadro da ONU para Mudanças do Clima – COP26

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Excelentíssimos governadores, prefeitos e secretários estaduais e municipais,
O desafio climático é global e urgente – ainda mais para o Brasil, que tem boa parte de seu território exposto a graves efeitos do aquecimento global. A melhor ciência disponível já alertou: se mantivermos as atuais emissões, provenientes em sua maioria dos incêndios e do desmatamento que têm atingido todos os biornas, a temperatura do Centro-Oeste, que é a caixa d’água do Brasil, poderá subir de 4°C a 5°C até o final do século, inviabilizando plantações, pastagens e até mesmo as exportações do agronegócio. A redução no volume médio de chuva no Brasil Central será de 20%. No Nordeste, a precipitação já diminuiu em média 30% em alguns locais. A maior irregularidade e redução da pluviosidade afeta diretamente os reservatórios que abastecem o país de água e energia elétrica. No Sul e Sudeste, a perspectiva de aumento de 10% no volume médio de chuvas não é exatamente uma boa notícia: com os mais altos índices de urbanização do país, essas regiões ficarão expostas a chuvas torrenciais que acarretam enchentes e deslizamentos, pressionando mais diretamente os governos locais.
O recente relatório da renomada revista médica Lancet acende o sinal de alerta também na saúde pública. Ele traz dados comprovando que o aquecimento global eleva a transmissão de doenças tropicais frequentes no Brasil, como malária, dengue e zika. São perspectivas preocupantes para gestores estaduais e municipais, que acabaram de testemunhar o custo que uma pandemia impõe aos governos subnacionais.
Seja pela economia, pela saúde ou até mesmo pela mobilidade urbana, responder adequadamente à crise climática é urgente, e exige ação articulada de todos os atores de nosso pacto federativo. A gravidade do problema não permite que ele fique ao sabor de desavenças políticas ou de interesses setoriais retrógrados. A saída – temporária – dos Estados Unidos do Acordo de Paris é, talvez, o exemplo mais explícito do que pode acontecer se o clima permanecer como assunto de governo, e não como política de Estado e direito constitucional. A cada ano de inação, as consequências se tornam mais graves – e boa parte delas recaem sobre governos estaduais e municipais, onde de fato está a população e suas questões mais imediatas.
É por isso que governadores e prefeitos efetivamente comprometidos com o enfrentamento da crise climática precisam sensibilizar suas bancadas a votar a favor da Proposta de Emenda Constitucional da Segurança Climática (PEC 37/2021). Ela propõe a inserção da segurança climática expressamente em três dispositivos estruturantes de nossa Constituição: no artigo 5º cláusula pétrea, como Direito Humano Fundamental; no artigo 170 princípio da Ordem Econômica e Financeira Nacional; e no artigo 225 núcleo do Direito ao Meio Ambiente ecologicamente equilibrado.
A ausência da palavra “clima” na Constituição Federal brasileira é compreensível: a Constituição é de 1988 e a convenção de mudança climática foi assinada quatro anos depois, na Rio 92. Mas isso não significa que seja aceitável. A Carta Magna brasileira simplesmente não pode ignorar o maior desafio que a humanidade enfrenta neste século.
A minuta da PEC já conseguiu adesões suficientes para sua tramitação na Câmara, vinda de diversos campos políticos da direita à esquerda. Agora é urgente que o Congresso Nacional dê início à tramitação, paute sua votação e aprove a lei que impõe ao Estado brasileiro a garantia da segurança climática aos seus cidadãos e ecossistemas, ao lado de outros direitos fundamentais, como o direito à vida, à dignidade da pessoa e à saúde. Para tanto, é fundamental que os governos locais se mobilizem, sensibilizando as bancadas de deputados e deputadas federais de seus estados a colaborar para que a matéria seja aprovada. Juntos, conseguiremos preparar o Brasil para mitigar as mudanças climáticas que forem inevitáveis, e poderemos aproveitar as oportunidades que estão se abrindo com a economia verde, circular e regenerativa . No Senado, PEC similar infelizmente está paralisada na Comissão de Constituição e Justiça (PEC 233/2019). Não podemos correr o mesmo risco na Câmara Federal. A tramitação deve ser priorizada e existe espaço para ser aprovada ainda durante a COP. Depende de nós e de nossos parlamentares.
O apoio dos governos locais é fundamental nesse processo e conclamamos todos a formalizarem sua adesão a esta pauta.
Proponentes:
ACT
Akatu
alana
ANAMMA
Fundación Avina
Clímax Brasil
Engajamundo
Famílias pelo Clima
Frente Parlamentar Ambientalista
Frente Parlamentar Ambientalista dos Vereadores do Brasil
Frente Direitos Indígenas
Frente ODS
Fridays for Future Brasil
Fundação Grupo Esquel
Hivos
ICLEI
idec
Instituto Cerrados
IFMSA
IDS
Instituto Escolhas
Instituto Ethos
ICS
ISPN
Observatório do Clima
RAPS
RAC
Rede Cerrado
Uneafro
350.org
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